Universidade
Paulista - UNIP
Letras -
Bacharelado
Beatriz Trefiglio
Isac Silva
Mateus Leonardo
Murillo Gomes
Nayra Barbosa
Uso das TICs na
Literatura
Campinas - SP
2019
Sumário
1.Introdução
Com o avanço da
tecnologia e sua dominância em praticamente todas as áreas da vida moderna, é
impossível não se questionar até que ponto essa chuva de informações e
possibilidades é benéfica ou não. Até que ponto os artistas, os criadores, os
escritores podem tirar vantagem desse meio? Será que hoje em dia é possível
vender o que se cria livremente ou é preciso adaptar as criações ao que se
pede?
Não é preciso ir
muito a fundo para saber que o mercado literário – e com isso, os escritores –
está em crise. Livrarias que fecham, livros cada vez mais caros, e isso tudo em
um cenário de uma sociedade que quer sempre o retorno rápido, o simples e
fácil. Uma sociedade que se torna cada vez mais preguiçosa, mais movida por
imagens e cores e explosões. Talvez seja tudo uma bola de neve: não se consome
a literatura tradicional impressa, os preços sobem, não há lucro, as livrarias
fecham, o acesso se torna cada vez mais difícil ou caro.
Então qual seria a
melhor forma de fazer com que essa situação seja revertida? Pois esse problema
afeta não só a população, que se distancia cada vez mais dessa cultura e acaba
por deixar passar um universo de possibilidades e mundos e personagens, mas
também – e quem sabe principalmente – os escritores, que precisam achar meios e
formas de vender o seu trabalho. Porque é isso que um livro é: o produto do
trabalho de alguém.
Como fazer a
literatura portuguesa acessível de forma eficiente?
A motivação deste
projeto parte de duas observações do meio: a primeira, é a de que há um
problema que todos os profissionais de áreas criativas enfrentam: a demanda
voraz de um grande volume de produtos no menor tempo possível, característica
do capitalismo.
Para contornar esse
sistema, julgamos necessário contornar a intermediação das editoras e veículos
de distribuição tradicionais, permitindo que o autor venda seu produto pelo
preço que quiser, para quem quiser. O sistema de divulgação em rede libera o
autor da necessidade de contar com o suporte da editora para divulgar seu
trabalho e o fato de os livros não serem físicos, baixam seu custo para o
consumidor.
Além disso, os
limites geográficos tornam-se absolutamente inexistentes. Além da tradução para
o idioma do leitor, nem a plataforma nem o autor teriam custos adicionais para
divulgar o livro em outros países, o que por intermédio de uma editora geraria
muito mais custo. Como aqui foi escolhido tratar, inicialmente, da literatura
portuguesa, nem a barreira do idioma é um impedimento. Exceto por algumas
diferenças lexicais, a plataforma (que chamamos de Leia-me) por si só já
conecta países de no mínimo três continentes diferentes.
A segunda observação
que fizemos, foi quanto a saúde mental dos autores. Segundo o médico psiquiatra
Felipe Duarte e a consultora empresarial Patrícia Martis Andrade, a síndrome de
burnout, isto é, de esgotamento completo da mente e do corpo em função do
estresse, têm causas recorrentes. Uma delas, é o constante esforço para cumprir
metas inalcançáveis em um ambiente tóxico. Queremos que os autores e escritores
tenham autonomia para definir suas próprias metas e decidir quanto, como e para
quem querem produzir. Desta forma, é possível que posterguemos um pouco mais o
esgotamento que as relações de trabalho trouxeram para o mundo das artes.
Este projeto foi
desenvolvido com base no cruzamento de informações e argumentações obtidos
através de uma revisão bibliográfica de conceitos econômicos e mercadológicos.
Também consideramos dados estatísticos como uma ferramenta para mensurar a
relação da população com a leitura.
Elaboramos um projeto
de aplicação que visa abordar todos os pontos problemáticos do cenário
brasileiro no que diz respeito à leitura. Pensamos em todos os passos necessários
para que a aplicação funcionasse para os propósitos para os quais foi
idealizada. Definimos, no entanto, que se trata de uma aplicação que pode, e
certamente será atualizada, como ocorre com outros produtos de mesma natureza.
A cada experiência dos usuários e feedback
recebido deles recebido, problemas lógicos (tanto no aspecto matemático, quanto
na proposta do projeto) podem ser contornados em iterações futuras.
Em outras épocas, a
arte foi a única motivação sine qua non
do trabalho do artista. Mas isso foi em outra era. Um tempo em que pintores,
músicos e atores eram vistos como artistas, não como designers, entertainers e
influencers. Um tempo em que a arte era uma dádiva, não um produto.
As relações entre o
artista e a arte, tanto como produto do processo criativo como método pelo qual
ele se realiza, mudaram muito nas sociedades modernas. Segundo Giddens (1991),
a emergência do capitalismo provocou essa transformação no processo industrial,
que passou a buscar processos mais eficientes e baratos à custo do bem-estar do
trabalhador.
Giddens (1991) afirma
que tais processos de industrialização não dizem respeito apenas aos ambientes
comumente associados à indústria no imaginário popular, isto é, fábricas,
usinas e oficinas. Giddens sugere que o conceito de industrialismo, ou seja, a
produção de bens materiais a partir da centralização da maquinaria no processo
de produção, também se aplica a indústria de alta tecnologia. No contexto da
publicação, Giddens considerou como produtos de alta tecnologia da época os
microcircuitos eletrônicos (Giddens, 1991), mas pouco tempo depois a internet,
convertida em uma ferramenta de uso pessoal, se provou muito mais impactante na
economia, na indústria e nas relações de trabalho. Portanto, é possível aplicar
o mesmo raciocínio de Giddens sobre as dimensões institucionais do mundo
globalizado.
Marx (apud Giddens op
cit) diz que enquanto sociedades pré-modernas utilizavam a violência para
manipular o trabalhador, como a ameaça e o castigo físico, as modernas
estabelecem uma relação contratual entre empregador e empregado. Se essa
relação abstrata já era profundamente presente nas sociedades industriais do
início do século XX, mais ainda no mundo contemporâneo no qual as relações de
trabalho se expandem cada vez mais para fora de um ambiente físico,
principalmente para profissionais criativos, a saber, ilustradores,
comunicadores e, finalmente, escritores. Os números precisam ser sempre
superados. As metas, sempre transpostas.
O capitalismo, como
descrito por Marx e por Giddens, é insaciável. Nunca haverá um número
suficiente de produtos, porque o sistema trabalha vendendo necessidades. Em
parábola, a sociedade industrial não cresce distribuindo alimento, mas
convencendo o consumidor de que ele tem fome.
Nesse sistema, a literatura e todas as
artes se tornam reféns da produtividade, não mais do chamado inescapável da
arte. As demandas são cada vez maiores e os autores precisam ser mais
prolíficos do que nunca para atende-las. O que é paradoxal, visto que, no
Brasil, 44% da população brasileira não lê, ou tem acesso limitado à leitura
(Rodrigues, 2016).
Não surpreende que a
pressão comercial sobre autores tenda ao infinito. Os produtos que oferecem são
cada vez menos bem recebidos, e os livros tradicionais estão cada vez mais
distantes da realidade do brasileiro médio. Não há perspectiva de limites para
a cobrança de produção literária dos autores, e essa cobrança é em volume, não
em consistência.
No entanto, deve ser feita uma análise
crítica desses dados. No Brasil, o acesso às redes sociais cresce cada vez
mais. Atualmente, os usuários passam mais de nove horas conectados às redes
sociais, e entre elas, a mais acessada é o Facebook, cujo conteúdo é, em grande
parte, escrito. Logo, o problema não é que os brasileiros não leiam. O problema
é que não leem livros.
Observa-se, portanto,
duas urgências: em primeiro lugar, os autores precisam de plataformas que os
permitam divulgar e monetizar seu trabalho contornando a dependência das
grandes editoras e distribuidoras. Em segundo lugar, é preciso que esse
conteúdo seja consumido pela população. E já que o povo brasileiro é tão
conectado às redes sociais, por que não arquitetar algo que se baseie nessa
mesma estrutura?
A tecnologia e a
informática afetam abundantemente todas as áreas do conhecimento hoje em dia,
logo com a literatura não poderia ser diferente. A utilização de diversas
plataformas tem tornado mais simples a prática da escrita, proporcionando novas
experiências para pessoas que estão acostumadas com a área, e criado um
ambiente amigável para aquelas não tão familiarizadas.
Um belo exemplo são
as plataformas de escrita online que trazem um ambiente intuitivo para
escritores amadores, que podem enviar seus textos para revisores e receber um
feedback antes da publicação. Uma plataforma conhecida que utiliza esse esquema
de revisão é o Spirit Fanfics, no qual pessoas escrevem e publicam histórias
originais do gênero fanfic (ficção de fãs) e, antes da sua postagem, é possível
enviá-las para uma equipe de revisores e beta readers (pessoas que “testam” a
leitura atrás de correções) que darão um retorno para o escritor.
Outro lugar em que
essa prática é comum são os fóruns do Reddit – ambiente online para discussões,
criação de conteúdos e circulação de notícias - que tem como foco a escrita. Na
maioria desses fóruns há uma seção para enviar seus textos para revisores voluntários
e buscar ajuda até mesmo para publicá-los futuramente.
Essas plataformas são significativas
para a literatura e educação, já que trazem a possibilidade de novos escritores
adquirirem uma noção melhor de como podem evoluir sua escrita, melhorar a
elaboração de textos, etc.
Na educação, essas
plataformas também possuem um caráter valioso. É possível, por exemplo, que um
professor proponha uma atividade na qual seus alunos produzam textos e os
enviem para esses revisores com o intuito de melhorar sua prática de escrita,
principalmente no que diz respeito à ortografia e gramática. Além disso,
é possível que educadores também se tornem revisores nesse meio e comecem a
auxiliar de uma maneira geral a comunidade escritora.
As fanfics,
principalmente, são um tipo de narrativa muito familiar para adolescentes e
crianças; Elas são basicamente uma narrativa ficcional, escrita e divulgada por
fãs em blogs, sites e em outras plataformas pertencentes ao ciberespaço, que
parte da apropriação de personagens e enredos provenientes de produtos
midiáticos sem que haja a intenção de ferir direitos autorais ou obter de
lucros. Portanto, tem como finalidade a construção de um universo paralelo ao
original, e também a ampliação do contato dos fãs com as obras que apreciam
para limites mais extensos. A partir disso é mais fácil que alunos em idade de
ensino fundamental e médio se sintam mais estimulados a escrever e possam
passar a ter um gosto maior pela literatura.
As TICs são
ferramentas em crescimento, e são capazes de impactar a educação e a literatura
de inúmeras formas. Com o domínio delas é possível recriar as atividades
literárias e educativas de maneiras divertida, trazendo uma redescoberta para a
área e, consequentemente, atraindo novas pessoas para este meio.
5.Projeto
Vivemos em uma época
difícil para viver de produção literária. De um lado, vemos escritores
desesperados, sendo pressionados pelas editoras para escrever cada vez mais e
ganhar mais dinheiro. Do outro, vemos um público cada vez menos interessado em
comprar e consumir livros. Só por essas palavras é notável que o futuro do
mercado de livros não é dos mais promissores; diariamente vemos notícias de
livrarias falindo.
Podemos facilmente
dizer que a tecnologia está tomando espaço que antes era dos livros. Quanto
mais a tecnologia avança, menos obras são lidas, afinal, a atenção das pessoas
está nas redes sociais.
Facebook, Twitter, Instagram. Isso é o
mais próximo de leitura que é consumida hoje em dia. Mas seria o suficiente?
Não haveria nenhuma forma de atrair o público para a literatura?
Para tentar lidar com
esse problema, foi criado o site Leia-me. Uma plataforma de interação entre
autor e leitor, onde as obras seriam publicadas, criticadas e monetizadas.
Seguimos com um
pequeno passo-a-passo de como utilizar a rede social:
2 - Criar sua conta, sendo necessário
alguns dados simples como: nome, idade, país, estado, cidade e um e-mail
válido;
3 - Editar seu perfil, escolhendo
gêneros e estilos literários de interesse, livros preferidos, autores
preferidos;
4 - Pronto. Com seu perfil criado,
dá-se início a navegação dentro do site. Na página inicial da sua conta
aparecerão alguns perfis de autores recomendados pelo site, com base nos
interesses escolhidos e avaliação do autor;
5 - Ao ler as obras, é possível
avaliá-las com notas de 1 a 5, e também fazer uma crítica literária, caso for
do seu interesse;
6 - Você pode seguir o autor para ser
notificado de suas próximas publicações;
Ainda no perfil do autor, também
estarão disponíveis as críticas que ele tenha feito nas obras de outros
autores;
7 - Por fim, voltando à sua página,
você pode também publicar sua obra, seja ela um livro de contos, poesias ou um
universo próprio; há espaço para todo tipo de literatura.
A remuneração para o
autor será baseada na quantidade de leitura que a obra dele recebeu, podendo
variar de acordo com a avaliação também. Portanto, quanto melhor avaliada a
obra, maior o retorno financeiro. Com o tempo, também estará disponível uma
área na qual os 10 autores mais bem avaliados serão destaque, e estes serão
bonificados em dinheiro.
Esperamos que essa
ferramenta ajude a popularizar novamente a literatura, que os usuários possam
aprimorar sua leitura, escrita e pensamento crítico, e que os autores possam
trabalhar no seu ritmo, sem pressão de editoras, e serem bem pagos pelo seu
trabalho.
Acreditamos que, por
se tratar de uma rede social, a aceitação do público será grande. A plataforma
é simples de ser utilizada, com ferramentas que o usuário de qualquer outra
rede social já possui familiaridade.
A literatura continua
viva, porém pouco explorada. O site abrirá novas portas, atrairá um novo
público e, com certeza, nos mostrará novos talentos.
6.Conclusão
Após pesquisas e
análises com o uso do blog proposto e seu conteúdo e leituras concernentes
tanto às literaturas portuguesa e brasileira e às relações entre as duas, foi
possível constatar que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) podem
ser grandes aliadas da literatura (portuguesa ou não) ou de qualquer outra
forma de arte.
Ao mesmo tempo que o
mundo tecnológico em que vivemos faz com que cada vez mais o interesse e o
acesso à leitura sejam reduzidos, existe um potencial intrínseco nas TICs capaz
de alavancar obras sem qualquer suporte de editoras. O fenômeno contemporâneo
da “viralização”, o rompimento dos limites de tempo e espaço, a gratuidade do
acesso e o baixo custo de comercialização são atributos que a distribuição
tradicional jamais poderia oferecer dentro dos mesmos parâmetros. Ainda mais em
nível transnacional.
Não supomos que estas técnicas e
métodos sejam a solução para o problema da leitura e da escrita criativa, mas
reconhecemos que são uma ferramenta que pode compor esta solução.
7.Referências Bibliográficas
GIDDENS, A. As consequências da Modernidade.
São Paulo: UNESP, 1991. (Cap 2). Disponível em:
http://www.culturaegenero.com.br/download/consequenciasmodernidade.pdf (Cap 2)
MAMILOS.
Mamilos 131 – Burnout, 2017. Disponível em: <https://www.b9.com.br/83618/mamilos-131-burnout/>.
Acesso em: 30/05/2019.
EM
MOVIMENTO. Tecnoblog: tecnologia que interessa, 2018. Disponível em:
<https://g1.globo.com/especial-publicitario/em-movimento/noticia/2018/10/22/brasileiro-e-um-dos-campeoes-em-tempo-conectado-na-internet.ghtml>.
Acesso em: 23/05/2019.
RODRIGUES,
Maria Fernanda. Estadão, 2018. Disponível em: <https://cultura.estadao.com.br/blogs/babel/44-da-populacao-brasileira-nao-le-e-30-nunca-comprou-um-livro-aponta-pesquisa-retratos-da-leitura/>.
Acesso em: 22/05/2019.
REDDIT.
Writing. 2019. Página inicial. Disponível em:
<https://www.reddit.com/r/writing/>. Acesso em: 19/05/2019.
SPIRIT
FANFICS. Spirit Fanfics e Histórias, 2019. Página inicial. Disponível em:
<https://www.spiritfanfiction.com/>. Acesso em: 19/05/2019.
CASTRO,
E.M. de Melo. Youtube, c2013. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=9ZHyLl0fBq8>. Acesso em: 19/05/2019.