Tuesday, June 4, 2019

Projeto - Uso das TICs na Literatura


Universidade Paulista - UNIP

Letras - Bacharelado











Beatriz Trefiglio
Isac Silva
Mateus Leonardo
Murillo Gomes
Nayra Barbosa









Uso das TICs na Literatura







Campinas - SP
2019


Sumário














1.Introdução
Com o avanço da tecnologia e sua dominância em praticamente todas as áreas da vida moderna, é impossível não se questionar até que ponto essa chuva de informações e possibilidades é benéfica ou não. Até que ponto os artistas, os criadores, os escritores podem tirar vantagem desse meio? Será que hoje em dia é possível vender o que se cria livremente ou é preciso adaptar as criações ao que se pede?
Não é preciso ir muito a fundo para saber que o mercado literário – e com isso, os escritores – está em crise. Livrarias que fecham, livros cada vez mais caros, e isso tudo em um cenário de uma sociedade que quer sempre o retorno rápido, o simples e fácil. Uma sociedade que se torna cada vez mais preguiçosa, mais movida por imagens e cores e explosões. Talvez seja tudo uma bola de neve: não se consome a literatura tradicional impressa, os preços sobem, não há lucro, as livrarias fecham, o acesso se torna cada vez mais difícil ou caro.
Então qual seria a melhor forma de fazer com que essa situação seja revertida? Pois esse problema afeta não só a população, que se distancia cada vez mais dessa cultura e acaba por deixar passar um universo de possibilidades e mundos e personagens, mas também – e quem sabe principalmente – os escritores, que precisam achar meios e formas de vender o seu trabalho. Porque é isso que um livro é: o produto do trabalho de alguém.
Como fazer a literatura portuguesa acessível de forma eficiente?
A motivação deste projeto parte de duas observações do meio: a primeira, é a de que há um problema que todos os profissionais de áreas criativas enfrentam: a demanda voraz de um grande volume de produtos no menor tempo possível, característica do capitalismo.
Para contornar esse sistema, julgamos necessário contornar a intermediação das editoras e veículos de distribuição tradicionais, permitindo que o autor venda seu produto pelo preço que quiser, para quem quiser. O sistema de divulgação em rede libera o autor da necessidade de contar com o suporte da editora para divulgar seu trabalho e o fato de os livros não serem físicos, baixam seu custo para o consumidor.
Além disso, os limites geográficos tornam-se absolutamente inexistentes. Além da tradução para o idioma do leitor, nem a plataforma nem o autor teriam custos adicionais para divulgar o livro em outros países, o que por intermédio de uma editora geraria muito mais custo. Como aqui foi escolhido tratar, inicialmente, da literatura portuguesa, nem a barreira do idioma é um impedimento. Exceto por algumas diferenças lexicais, a plataforma (que chamamos de Leia-me) por si só já conecta países de no mínimo três continentes diferentes.
A segunda observação que fizemos, foi quanto a saúde mental dos autores. Segundo o médico psiquiatra Felipe Duarte e a consultora empresarial Patrícia Martis Andrade, a síndrome de burnout, isto é, de esgotamento completo da mente e do corpo em função do estresse, têm causas recorrentes. Uma delas, é o constante esforço para cumprir metas inalcançáveis em um ambiente tóxico. Queremos que os autores e escritores tenham autonomia para definir suas próprias metas e decidir quanto, como e para quem querem produzir. Desta forma, é possível que posterguemos um pouco mais o esgotamento que as relações de trabalho trouxeram para o mundo das artes.

Este projeto foi desenvolvido com base no cruzamento de informações e argumentações obtidos através de uma revisão bibliográfica de conceitos econômicos e mercadológicos. Também consideramos dados estatísticos como uma ferramenta para mensurar a relação da população com a leitura.
Elaboramos um projeto de aplicação que visa abordar todos os pontos problemáticos do cenário brasileiro no que diz respeito à leitura. Pensamos em todos os passos necessários para que a aplicação funcionasse para os propósitos para os quais foi idealizada. Definimos, no entanto, que se trata de uma aplicação que pode, e certamente será atualizada, como ocorre com outros produtos de mesma natureza. A cada experiência dos usuários e feedback recebido deles recebido, problemas lógicos (tanto no aspecto matemático, quanto na proposta do projeto) podem ser contornados em iterações futuras.
Em outras épocas, a arte foi a única motivação sine qua non do trabalho do artista. Mas isso foi em outra era. Um tempo em que pintores, músicos e atores eram vistos como artistas, não como designers, entertainers e influencers. Um tempo em que a arte era uma dádiva, não um produto.
As relações entre o artista e a arte, tanto como produto do processo criativo como método pelo qual ele se realiza, mudaram muito nas sociedades modernas. Segundo Giddens (1991), a emergência do capitalismo provocou essa transformação no processo industrial, que passou a buscar processos mais eficientes e baratos à custo do bem-estar do trabalhador.
Giddens (1991) afirma que tais processos de industrialização não dizem respeito apenas aos ambientes comumente associados à indústria no imaginário popular, isto é, fábricas, usinas e oficinas. Giddens sugere que o conceito de industrialismo, ou seja, a produção de bens materiais a partir da centralização da maquinaria no processo de produção, também se aplica a indústria de alta tecnologia. No contexto da publicação, Giddens considerou como produtos de alta tecnologia da época os microcircuitos eletrônicos (Giddens, 1991), mas pouco tempo depois a internet, convertida em uma ferramenta de uso pessoal, se provou muito mais impactante na economia, na indústria e nas relações de trabalho. Portanto, é possível aplicar o mesmo raciocínio de Giddens sobre as dimensões institucionais do mundo globalizado.
Marx (apud Giddens op cit) diz que enquanto sociedades pré-modernas utilizavam a violência para manipular o trabalhador, como a ameaça e o castigo físico, as modernas estabelecem uma relação contratual entre empregador e empregado. Se essa relação abstrata já era profundamente presente nas sociedades industriais do início do século XX, mais ainda no mundo contemporâneo no qual as relações de trabalho se expandem cada vez mais para fora de um ambiente físico, principalmente para profissionais criativos, a saber, ilustradores, comunicadores e, finalmente, escritores. Os números precisam ser sempre superados. As metas, sempre transpostas.
O capitalismo, como descrito por Marx e por Giddens, é insaciável. Nunca haverá um número suficiente de produtos, porque o sistema trabalha vendendo necessidades. Em parábola, a sociedade industrial não cresce distribuindo alimento, mas convencendo o consumidor de que ele tem fome.
Nesse sistema, a literatura e todas as artes se tornam reféns da produtividade, não mais do chamado inescapável da arte. As demandas são cada vez maiores e os autores precisam ser mais prolíficos do que nunca para atende-las. O que é paradoxal, visto que, no Brasil, 44% da população brasileira não lê, ou tem acesso limitado à leitura (Rodrigues, 2016).
Não surpreende que a pressão comercial sobre autores tenda ao infinito. Os produtos que oferecem são cada vez menos bem recebidos, e os livros tradicionais estão cada vez mais distantes da realidade do brasileiro médio. Não há perspectiva de limites para a cobrança de produção literária dos autores, e essa cobrança é em volume, não em consistência.
No entanto, deve ser feita uma análise crítica desses dados. No Brasil, o acesso às redes sociais cresce cada vez mais. Atualmente, os usuários passam mais de nove horas conectados às redes sociais, e entre elas, a mais acessada é o Facebook, cujo conteúdo é, em grande parte, escrito. Logo, o problema não é que os brasileiros não leiam. O problema é que não leem livros.
Observa-se, portanto, duas urgências: em primeiro lugar, os autores precisam de plataformas que os permitam divulgar e monetizar seu trabalho contornando a dependência das grandes editoras e distribuidoras. Em segundo lugar, é preciso que esse conteúdo seja consumido pela população. E já que o povo brasileiro é tão conectado às redes sociais, por que não arquitetar algo que se baseie nessa mesma estrutura?

A tecnologia e a informática afetam abundantemente todas as áreas do conhecimento hoje em dia, logo com a literatura não poderia ser diferente. A utilização de diversas plataformas tem tornado mais simples a prática da escrita, proporcionando novas experiências para pessoas que estão acostumadas com a área, e criado um ambiente amigável para aquelas não tão familiarizadas.
Um belo exemplo são as plataformas de escrita online que trazem um ambiente intuitivo para escritores amadores, que podem enviar seus textos para revisores e receber um feedback antes da publicação. Uma plataforma conhecida que utiliza esse esquema de revisão é o Spirit Fanfics, no qual pessoas escrevem e publicam histórias originais do gênero fanfic (ficção de fãs) e, antes da sua postagem, é possível enviá-las para uma equipe de revisores e beta readers (pessoas que “testam” a leitura atrás de correções) que darão um retorno para o escritor.
Outro lugar em que essa prática é comum são os fóruns do Reddit – ambiente online para discussões, criação de conteúdos e circulação de notícias - que tem como foco a escrita. Na maioria desses fóruns há uma seção para enviar seus textos para revisores voluntários e buscar ajuda até mesmo para publicá-los futuramente.
Essas plataformas são significativas para a literatura e educação, já que trazem a possibilidade de novos escritores adquirirem uma noção melhor de como podem evoluir sua escrita, melhorar a elaboração de textos, etc.
Na educação, essas plataformas também possuem um caráter valioso. É possível, por exemplo, que um professor proponha uma atividade na qual seus alunos produzam textos e os enviem para esses revisores com o intuito de melhorar sua prática de escrita, principalmente no que diz respeito à ortografia e gramática.  Além disso, é possível que educadores também se tornem revisores nesse meio e comecem a auxiliar de uma maneira geral a comunidade escritora.
As fanfics, principalmente, são um tipo de narrativa muito familiar para adolescentes e crianças; Elas são basicamente uma narrativa ficcional, escrita e divulgada por fãs em blogs, sites e em outras plataformas pertencentes ao ciberespaço, que parte da apropriação de personagens e enredos provenientes de produtos midiáticos sem que haja a intenção de ferir direitos autorais ou obter de lucros. Portanto, tem como finalidade a construção de um universo paralelo ao original, e também a ampliação do contato dos fãs com as obras que apreciam para limites mais extensos. A partir disso é mais fácil que alunos em idade de ensino fundamental e médio se sintam mais estimulados a escrever e possam passar a ter um gosto maior pela literatura.
As TICs são ferramentas em crescimento, e são capazes de impactar a educação e a literatura de inúmeras formas. Com o domínio delas é possível recriar as atividades literárias e educativas de maneiras divertida, trazendo uma redescoberta para a área e, consequentemente, atraindo novas pessoas para este meio.
5.Projeto
Vivemos em uma época difícil para viver de produção literária. De um lado, vemos escritores desesperados, sendo pressionados pelas editoras para escrever cada vez mais e ganhar mais dinheiro. Do outro, vemos um público cada vez menos interessado em comprar e consumir livros. Só por essas palavras é notável que o futuro do mercado de livros não é dos mais promissores; diariamente vemos notícias de livrarias falindo.
Podemos facilmente dizer que a tecnologia está tomando espaço que antes era dos livros. Quanto mais a tecnologia avança, menos obras são lidas, afinal, a atenção das pessoas está nas redes sociais.
Facebook, Twitter, Instagram. Isso é o mais próximo de leitura que é consumida hoje em dia. Mas seria o suficiente? Não haveria nenhuma forma de atrair o público para a literatura?
Para tentar lidar com esse problema, foi criado o site Leia-me. Uma plataforma de interação entre autor e leitor, onde as obras seriam publicadas, criticadas e monetizadas.
Seguimos com um pequeno passo-a-passo de como utilizar a rede social:

1 - Acessar o site http://www.leia.me;

2 - Criar sua conta, sendo necessário alguns dados simples como: nome, idade, país, estado, cidade e um e-mail válido;

3 - Editar seu perfil, escolhendo gêneros e estilos literários de interesse, livros preferidos, autores preferidos;

4 - Pronto. Com seu perfil criado, dá-se início a navegação dentro do site. Na página inicial da sua conta aparecerão alguns perfis de autores recomendados pelo site, com base nos interesses escolhidos e avaliação do autor;

5 - Ao ler as obras, é possível avaliá-las com notas de 1 a 5, e também fazer uma crítica literária, caso for do seu interesse;

6 - Você pode seguir o autor para ser notificado de suas próximas publicações;
Ainda no perfil do autor, também estarão disponíveis as críticas que ele tenha feito nas obras de outros autores;

7 - Por fim, voltando à sua página, você pode também publicar sua obra, seja ela um livro de contos, poesias ou um universo próprio; há espaço para todo tipo de literatura.

A remuneração para o autor será baseada na quantidade de leitura que a obra dele recebeu, podendo variar de acordo com a avaliação também. Portanto, quanto melhor avaliada a obra, maior o retorno financeiro. Com o tempo, também estará disponível uma área na qual os 10 autores mais bem avaliados serão destaque, e estes serão bonificados em dinheiro.
Esperamos que essa ferramenta ajude a popularizar novamente a literatura, que os usuários possam aprimorar sua leitura, escrita e pensamento crítico, e que os autores possam trabalhar no seu ritmo, sem pressão de editoras, e serem bem pagos pelo seu trabalho.
Acreditamos que, por se tratar de uma rede social, a aceitação do público será grande. A plataforma é simples de ser utilizada, com ferramentas que o usuário de qualquer outra rede social já possui familiaridade.
A literatura continua viva, porém pouco explorada. O site abrirá novas portas, atrairá um novo público e, com certeza, nos mostrará novos talentos.
6.Conclusão
Após pesquisas e análises com o uso do blog proposto e seu conteúdo e leituras concernentes tanto às literaturas portuguesa e brasileira e às relações entre as duas, foi possível constatar que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) podem ser grandes aliadas da literatura (portuguesa ou não) ou de qualquer outra forma de arte.
Ao mesmo tempo que o mundo tecnológico em que vivemos faz com que cada vez mais o interesse e o acesso à leitura sejam reduzidos, existe um potencial intrínseco nas TICs capaz de alavancar obras sem qualquer suporte de editoras. O fenômeno contemporâneo da “viralização”, o rompimento dos limites de tempo e espaço, a gratuidade do acesso e o baixo custo de comercialização são atributos que a distribuição tradicional jamais poderia oferecer dentro dos mesmos parâmetros. Ainda mais em nível transnacional.
Não supomos que estas técnicas e métodos sejam a solução para o problema da leitura e da escrita criativa, mas reconhecemos que são uma ferramenta que pode compor esta solução.










7.Referências Bibliográficas

GIDDENS, A. As consequências da Modernidade. São Paulo: UNESP, 1991. (Cap 2). Disponível em: http://www.culturaegenero.com.br/download/consequenciasmodernidade.pdf (Cap 2)

MAMILOS. Mamilos 131 – Burnout, 2017. Disponível em: <https://www.b9.com.br/83618/mamilos-131-burnout/>. Acesso em: 30/05/2019.

EM MOVIMENTO. Tecnoblog: tecnologia que interessa, 2018. Disponível em: <https://g1.globo.com/especial-publicitario/em-movimento/noticia/2018/10/22/brasileiro-e-um-dos-campeoes-em-tempo-conectado-na-internet.ghtml>. Acesso em: 23/05/2019.

RODRIGUES, Maria Fernanda. Estadão, 2018. Disponível em: <https://cultura.estadao.com.br/blogs/babel/44-da-populacao-brasileira-nao-le-e-30-nunca-comprou-um-livro-aponta-pesquisa-retratos-da-leitura/>. Acesso em: 22/05/2019.

REDDIT. Writing. 2019. Página inicial. Disponível em: <https://www.reddit.com/r/writing/>. Acesso em: 19/05/2019.

SPIRIT FANFICS. Spirit Fanfics e Histórias, 2019. Página inicial. Disponível em: <https://www.spiritfanfiction.com/>. Acesso em: 19/05/2019.

CASTRO, E.M. de Melo. Youtube, c2013. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=9ZHyLl0fBq8>. Acesso em: 19/05/2019.